sexta-feira, 26 de julho de 2013

Um Violinista no Telhado


Direção: Norman Jewison
Roteiro: Joseph Stein (também autor da peça), adaptado das histórias de: Sholom Aleichem
Trilha sonora: John Williams
Estrelando: Topol, Norma Crane, Leonar Frey.

Devo admitir que sou fã de musicais. Vejo neles como a grande expressão da criatividade do cinema hollywoodiano (junto com os filmes de faroeste). São filmes que somente dentro da indústria cinematográfica dos EUA conseguiram êxito (no caso do faroeste nós temos os italianos produzindo belos filmes, no suspense temos ingleses e franceses, e a lista continua). Claro que existem algumas exceções de musicais não hollywoodianos que deram certo, como é o caso dos filmes protagonizados pelos Beatles, mas pouco deles tem a mesma estrutura dos filmes feitos na capital do cinema estadunidense. 

Por isso, hoje começo aqui uma série com breves comentários sobre os musicais. Começando por um filme feito depois do período glorioso para o gênero, "Um Violinista no Telhado" (fiddler on the roof, 1971) é uma obra adaptada do teatro. É uma particularidade da cultura estadunidense a produção de obras teatrais do gênero musical (dando maior atenção à Broadway), o que terminou por pautar como deveriam ser as obras do gênero nos demais países que se arriscassem a fazer o mesmo. 

"Um Violinista no Telhado" surge em um momento em que o cinema clássico de Hollywood está em crise e que os filmes feitos no antigo sistema parecem não funcionar mais. O cinema dos EUA sofre um grande choque e passa a ser influenciado pelo que estava sendo feito nos demais países (França, Itália, Brasil, Japão...). Este filme surge neste momento como um estranho e conquista a todos, tendo oito indicações ao Oscar, e ganhando três.

A história de uma família de judeus no interior da Russia czarista tornou-se um clássico do cinema musical.





quarta-feira, 10 de julho de 2013

Jean Renoir



"A expectativa apavorante da guerra no oprime virtualmente. Entre as tomadas de cena de La Bête Humanine, os fotógrafos, maquinistas, atores, técnicos, todos atordoados, se entreolham, balançam a cabeça, dão de ombros.

O sr. Hitler ficaria extasiado se soubesse o quanto nos incomoda. Pessoalmente, eu me recuso a dar ao Führer a satisfação de não esquecê-lo. Não permitirei que a hostilidade por ele influencie minhas ações ou pensamentos.

Trata-se, portanto, de uma questão pessoal entre Hitler e mim. Se milhares de homens assim considerarem essa ameaça, o flagelo da guerra não se abaterá mais uma vez sobre a humanidade.

Porque sou pacifista, realizei "A Grande Ilusão". Para mim, um francês, um americano e um alemão autênticos são verdadeiros pacifistas. Um dia verá em que os homens de boa vontade encontrarão uma base de acordo. Os céticos dirão que no momento atual minhas palavras revelam uma confiança pueril. Mas por que não? Por mais incômodo que seja, Hitler não modifica em nada minha opinião sobre os alemães.

[...]

"A Grande Ilusão" é a história de pessoas como você e como eu, perdidas na pungente aventura que se chama guerra. A questão que se apresenta hoje ao nosso mundo angustiado parece muito com a de Spaak, e com a que enfrentamos ao preparar este filme. É por isso que "A Grande Ilusão" parece ser um filme de intensa atualidade..."


(texto presente no livro "escritos sobre cinema" de Jean Renoir)
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