sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Novo Cinema Brasileiro

por: Yves São Paulo

O cinema brasileiro sempre tentou achar a sua cara. Podemos dizer que estamos perto de encontrá-la e finalmente fazer amizade com os espectadores. Há muito tempo que o cinema nacional não terminava um ano no topo da bilheteria nacional, mas desde que a década passada começou nós chegamos mais perto dela.
Hoje o cinema brasileiro não só agrada a crítica como em tempos passados, mas o público também, que começa a trocar as seções dubladas por filmes, em sua maioria, 100% nacionais. Algumas destas produções fazem sucesso não só aqui, mas no exterior também, como é o caso de "Cidade de Deus" de Fernando Meirelles, cineasta que conseguiu abrir algumas portas estrangeiras após o citado filme.
O problema que o cinema nacional enfrenta ainda em dias atuais, mas que parece estar superando, é a vontade dos cineastas brasileiros quererem se igualar com os diretores europeus e ganhar o tão desejado título de "Artista" e desta forma termina por fazer filmes cansativos, lentos, onde a narrativa demora muito para dizer o que realmente quer. Retomando o exemplo de Meirelles, ele fez um filme que se encaixa no que deve ser feito atualmente pelos diretores, um filme que consiga unir arte e dinheiro.
A ausência de uma indústria de cinema em nosso país tropical é explicada apenas pelo fato de que o espectador não consegue se ver nos filmes que são feitos ou não conseguem compreender a complicada trama que lhe é apresentada. Diversos são os filmes feitos na zona rural, longe da realidade das pessoas que lotam as salas de cinema nacionais. Os dois grandes sucessos de público e crítica desta década que passou conseguem unir o que quem vai à sala de projeção quer ver, e ainda conseguiu agradar os entendidos da sétima arte. "Tropa de Elite" (José Padilha) e "Cidade de Deus" (Fernando Meirelles) são ambientados na cidade e tratam de problemas que os moradores da cidade conhecem bem, ou seja, se identificam com a trama, além da rapidez da narração de ambas as produções.
Se forem seguidos, o novo cinema brasileiro só tende a crescer, o que não pode mais é colocar cenas para chocar a platéia, o que é sempre um erro, já que a platéia não gosta de ser surpreendida a não ser que peça para ser surpreendida (quando vai assistir a um filme de terror ou suspense, por exemplo). O povo brasileiro quer se ver na grande tela, por isso tem que se analisar mais de perto o que tem que ser mudado na parte da criação dos filmes para que este público possa ir ver os nossos trabalhos.

sábado, 23 de abril de 2011

Sexta Cinematográfica: Tarantino's Mind

por: Yves São Paulo

Mesmo sendo sábado, resolvi postar este filme aqui como parte do projeto que havia há algum tempo começado intitulado Sexta Cinematográfica. Este curta-metragem dirigido por Selton Mello e Seu Jorge é um cult da produção curtametragista atual e nele se discute sobre os filmes do Quentin Tarantino em um bar. Vou parar por aqui para não acabar dando spoilers sobre o filme que segue, que acima de tudo é bastante divertido.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

American Graffiti de George Lucas

por: Yves São Paulo

George Lucas é um grande diretor. Muitos não o consideram devido ao sucesso financeiro de suas produções, mas se não fossem, Lucas seria um diretor aclamado no mundo do cinema.
Na década de 1970 quando ele dirigiu seus três primeiros longas ele provou para muitos o seu potencial como artista, sendo que foi indicado ao Oscar duas vezes como diretor, uma por sua obra mais famosa, "Star Wars" ou "Guerra Nas Estrelas" (1977), e outra pelo filme que lhe deu crédito para fazê-la, "American Graffiti" ou, como foi traduzida por aqui "loucuras de verão" (1973).
George Lucas vinha de um estrondoso fracasso comercial e de crítica, um filme "de arte", uma espécie de refilmagem de um curta-metrgem seu de sucesso (feito quando estava na universidade) pelo qual ganhou alguns prêmios e que terminou por chamar a atenção de alguém, que já era cultuado pelos jovens ou aspirantes a cineastas, Francis Ford Coppola, que se tornou o padrinho de Lucas em Hollywwod e produtor de seus dois primeiros filmes.
American Graffiti é a versão de "Os Boas Vidas" americana. George fez algo muito parecido com o que Fellini fez. A trama apresenta um grupo de jovens que moram em uma cidadezinha do interior na ultima noite de dois deles, que vão deixar a cidade para ingressarem a universidade. O filme é uma comédia banhada pelo inicio do rock 'n' roll e garotos em seus carros. Temos quatro jovens.
Curt (Richard Dreyfuss) um dos garotos que vai para a universidade, mas no ultimo momento fica em dúvida, segundo Lucas, é o personagem que mais se parece com ele, e que termina por se envolver com um grupo de punks. Steve (Ron Howard) é o garoto popular desejado por todas as garotas da escola, e que no inicio da noite parece ter certeza de que vai sair da cidade mas no fim dela fica balançado por causa de sua namorada Laurie (Cindy Williams) que vai ficar na cidade pois ainda não terminou seus estudos. John (Paul LeMat) um garoto que aposta corridas com quem quiser desafiá-lo e Terry (Charles Martin Smith) um garoto que não parece ter nenhum futuro (como nos será dito posteriormente) e que tenta ser popular usando o carro de Steve.
O filme é um retrato de uma geração que chegava ao fim que tinha como grandes preocupações a saída de "casa para encontrar uma nova casa", geração esta que seria sacudida pouco tempo depois pela guerra do Vietnã e pelo movimento Hippie (e junto com ela a mudança do estilo de se fazer rock 'n' roll).
O filme foi indicado a cinco Oscars, incluindo melhor filme e melhor diretor. É só uma prova de uma grande cineasta que o mundo deixou de ter por causa de críticas ofensivas a um belo trabalho.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual

por: Yves São Paulo

Para ter informações com segurança sobre o cinema nacional acessem o site do governo:
lá vocês verão estatísticas sobre o mercado cinematográfico nacional, e até teses e dissertações sobre o audiovisual brasileiro.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Hollywood, A Meca do Cinema

por: Yves São Paulo

Toda vez que uma geração está prestes a chegar ao fim em Hollywood os veteranos dizem as mesmas coisas, "Hollywood já não é mais a mesma" ou "Hollywood já não tem mais o glamour de outrora", pelo fato de que o cinema tem que se transformar para conseguir atrair as novas gerações.
Esta é uma realidade que existe há tempos, já que no longínquo ano de 1936 o jornalista e escritor Blaise Cendrars escreveu em seu livro "Hollywood a meca do cinema" os comentários de pessoas que trabalhavam nos estúdios falando sobre a "crise de estrelas" e o "brilho" que começava a se apagar. Nesta época os veteranos, que se julgavam e eram julgados como as vozes da razão e da experiência no meio cinematográfico, e estavam apenas começando a fazer um novo tipo de cinema, o falado.
O cinema nunca esteve em crise, pelo menos o de Hollywood não. No mesmo livro Cendrars escreve que o mercado norte americano de cinema lucrou no ano do crash da bolsa em 1929, nada mais nada menos que dois bilhões de dólares! naquela época alcançar tal valor financeiro não era fácil, já que os ingressos custavam algo inferior a um dólar. Hoje o mesmo mercado alcança em média seis bilhões de dólares, com ingressos que custam em torno de 1000% a mais do que naquela época*.
O livro de Blaise Cendrars é uma ótima opção para quem quer conhecer um pouco mais de cinema, já que o cinema da década de 1930 é pouco lembrado, e o livro serve como um registro histórico de quem viu por ter estado lá. Uma curiosidade que aparece na obra é o relato do escritor dos bastidores do ganhador do Oscar "Ziegfeld, O Criador de Estrelas" (Robert Z. Leonard, the great Ziegfeld).


*por isso as estatísticas de filmes que mais lucraram na história do cinema estão erradas, já que se colocarmos filmes como "...E O Vento Levou" e "E.T. o extraterrestre" em uma lista com valores reajustados eles estarão na lista das 10 maiores bilheteria da história.

sábado, 2 de abril de 2011

35 Anos de Taxi Driver

por: Yves São Paulo

22 de março de 1976 chegava aos cinemas brasileiros um dos filmes mais importantes da história da sétima arte, o filme que deixou Martin Scorsese famoso e com o qual ele levou a Palma de Ouro no festival de Cannes, "Taxi Driver".
O filme foi escrito por Paul Schrader alguns anos antes de ser filmado, foi apresentado à outros diretores antes de chegar a mão de Scorsese, mas foi Briam De Palma quem indicou para o escritor quem seria o diretor perfeito para esta produção. E estava certo!
Desde o começo Robert De Niro era a escolha para protagonizar o filme. Ele já havia trabalhado com o diretor anteriormente em "Caminhos Perigosos"(Mean Streets, 1973), mas pelo fato de não ser conhecido pelo grande publico os produtores Michael e Julia Phillips resolveram esperar um pouco para começar a produção, o que foi mais uma escolha certa, pois De Niro havia atuado em "O Poderoso Chefão, parte II" (the godfather part II, Francis Ford Coppola, 1974) com o qual ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante.
Com pouco menos de dois milhões de dólares o filme foi rodado em grande parte perto dos estúdios em Los Angeles, e em alguns pontos em Nova York, para que todos acreditassem que a história se passe na cidade.
O filme conta a história de Travis Bickle, ex-combatente das forças armadas no Vietnam que mora sozinho em Nova York e que não consegue dormir à noite. Ele anda pelas ruas tentando se distrair, andando de metrô, indo a cinemas pornográficos, até que um dia decide ir a uma agência e se tornar um motorista de táxi, e fazer este turismo noturno ganhando dinheiro. Certa noite uma prostituta de doze anos entra em seu carro aparentemente atormentada e querendo fugir de alguma coisa, mas é impedida por alguém que não vemos quem é. Travis vai atrás desta garota e tentar fazê-la sair deste mundo, e é assim que temos um desfecho inesperado e genial.
"Taxi Driver" é mais que um simples filme é um documento que comprova a genialidade de uma geração de cineastas que queriam fazer uma junção de cinema de arte mais altas bilheterias. Este filme obteve um relativo sucesso, apesar de tudo que é considerado politicamente incorreto como prostituição infantil, violência, preconceito racial... Martin Scorsese é um dos poucos diretores que sobraram daquela época, considerada por muitos a ultima era de ouro do cinema, e graças a esta obra de arte ele continua a encantar as platéias nas salas de cinema do mundo todo.
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