domingo, 28 de agosto de 2016

Marcel L'Herbier - Palma de Mártir em 16 mm

Este texto faz parte de uma enquete realizada por Jacques-Doniol Valcroze e François Truffaut, em ocasião da edição especial de Cahiers du Cinéma a respeito do amor no cinema. Neste caso, os dois críticos da revista perguntaram a diversos cineastas suas opiniões a respeito do erotismo no cinema.


O mais prolífico de nossos realizadores: cinquenta títulos tanto mudo quanto falados. Marcel L'Herbier nasceu em 24 de abril de 1890 em Paris. Passou por todas "escolas", vanguardas dos anos 1930, realismo psicológico, realismo poético, etc... Sua última escola: IDHEC, da qual ele é presidente e fundador.

1° Busquei e protegi (a grandes custos), ao longo de treze anos, os direitos de adaptação ao cinema do romance de Oscar Wilde: O retrato de Dorian Gray.

Era meu dever insistir sobre as dificuldades que encontrei a partir do corte da censura se os produtores, me recusando seu concurso, exerceram contra este tema delicado a mais intransitável das pré-censuras?

Era preciso insistir sobre o caráter das cenas que deveria me valer os raios dos moralistas oficiais?

2° Sem falar dos cortes exigidos de alguns de meus filmes por censuras políticas ou militares, a censura propriamente dita cortou, notavelmente em meu L'homme du large e em Don Juan et Faust, as cenas de erotismo (lésbico) e as cenas de nudez.

Me arrependo de não ter vos oferecido uma palma de mártir em formato reduzido.


(publicado originalmente em Cahiers du Cinéma, n° 42, de dezembro de 1954, tomo VII, p. 51 - 52)

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