domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sobre Cinema Surrealista


"Não sendo um sonho (individual e solitário) e, em se sabendo como não-sonho, o discurso surrealista é um ato poético de liberação frente às repressões sociais; sendo uma experiência social e consciente, procura imitar a lógica da experiência onírica  para ser eficaz a sua subversão, uma vez que o imaginário excita as profundezas da psiquê, dirigindo-se ao inconsciente na sua própria linguagem. É somente neste caso como manifestação da linguagem do inconsciente com as estruturas próprias aos processos mentais primários, que Buñuel vê a tela de cinema refletindo a 'luz adequada': 'à pupila branca da tela de cinema, bastar-lhe-ia refletir a luz que lhe é própria, para explodir o universo' (Buñuel).
A questão do real fica superada. A continuidade oferecida pela decupagem clássica perde autoridade e função. A dinâmica do psiquismo individual segundo Freud, marcada pela dialética natureza (instinto)/cultura (leis), projeta-se para o domínio social, e o antiautoritarismo do projeto surrealista afirma a supremacia  do imaginário e propõe o cinema como a demonstração de seus poderes libertadores."

(Ismail Xavier em "O discurso cinematográfico", p. 96)

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