quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Blue Jasmine de Woody Allen (2013)


direção: Woody Allen;
roteiro: Woody Allen;
fotografia: Javier Aguirresarobe;
edição: Alise Lepster;
estrelando: Cate Blanchett, Alec Baldwin, Sally Hawkins, Bobby Cannavale.

Woody Allen é um dos grandes nomes do cinema estadunidense. Mas nestes últimos anos seus filmes não têm encontrado a qualidade que tinham em outros tempos. Logo que surgiu, no fim da década de 1960 início da década de 1970, o diretor era um comediante a caminho do cinema. Seus primeiros filmes se constituíam de comédias farsescas cheias de gags rápidas que em alguns casos não acrescentavam muito ao enredo do filme. Foi dando uma pausa entre A ultima noite de Bóris Grushenko (1975) e Annie Hall (1977) em que Woody Allen encontra o seu caminho no cinema. Suas influências são bem claras e ele as utiliza para desenvolver a sua visão e assim poder colocar no filme a sua assinatura.

Seus filmes são marcados por personagens bem construídos, não somente no aspecto literário, mas também no sentido cinematográfico. A câmera de Woody Allen desenvolve uma afeição por aqueles personagens deslocados, neuróticos, fazendo com que seus filmes consigam se diferenciar dos demais. É o subjetivo do personagem que nos é desmembrado, a história de pessoas, seus medos e anseios que nos são desnudadas por uma câmera que não faz este trabalho de maneira violenta, mas analítica. É esta câmera analítica que se apresenta em Blue Jasmine, ultimo filme do diretor.


O filme conta a história de Jasmine (Cate Blanchett) que depois de ter sua fortuna perdida, vai morar com sua irmã pobre que mora em São Francisco. A história começa com Jasmine em um avião conversando com uma senhora. Mais tarde, quando desembarcam no aeroporto descobrimos por meio da senhora de que Jasmine, na verdade, estava a conversar sozinha. É um primeiro sinal de uma fragilidade psicológica que aos poucos o diretor nos mostrará a sua real gravidade.

Jasmine a todos os momentos toma remédios para conseguir manter-se calma. A mudança de vida não lhe fez qualquer bem. Seu marido se matou quando foi preso por ganhar dinheiro de forma ilícita e ela não tem mais contato com seu filho. Esta história é contada por meio de uma análise que a câmera de Woody Allen faz da personagem que se apresenta a sua frente. Às vezes uma única palavra é o suficiente para desencadear uma lembrança. E é assim que voltamos ao passados de Jasmine, o luxo em que viviam, seu circulo de "amizades", a vida com o marido e o filho, e aos poucos, este mundo que parecia perfeito começar a desmoronar. É como se estivéssemos a assistir uma consulta a um psicólogo, mas com acesso às lembranças do paciente.


Trata-se de um dos melhores filmes que Woody Allen já nos apresentou. Sem dúvida pode ser posto ao lado de suas grandes obras como Hannah e suas irmãs, Annie Hall, Manhattan e Crimes e pecados. É o melhor dos filmes que já lançou nos últimos anos porque é bem resolvido consigo, seus personagens possuem vida própria e a câmera volta a ter "consciência", tal como em Manhattan. O que ajudou e muito este filme a ser tão grandioso, além do trabalho de direção-roteiro-fotografia sobre o qual sempre comento, está a atuação magistral de Cate Blanchett que dá a Jasmine mais força do que ela encontraria com qualquer outra atriz. Blue Jasmine é uma obra de arte.

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