quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Azul é a Cor Mais Quente de Abdellatif Kechiche (La Vie d'Adèle, 2013)



direção: Abdellatif Kechiche;
roteiro: Abdellatif Kechiche, Ghalia Lacroix, (adaptado da obra de) Julia Maroh;
direção de fotografia: Sofian El Fani;
estrelando: Adèle Exarchopoulos, Léa Seydoux.

Há algum tempo não via uma Palma de Ouro tão controversa quanto esta. "Azul é a cor mais quente" chegou em Cannes como um filme desconhecido e saiu como o acontecimento do festival - tanto que quando de sua estréia no festival nem mesmo título em países estrangeiros ele tinha ainda, e naquele momento o grande ganhador de uma dos maiores festivais de cinema do mundo atendia pelo nome de "La Vie d'Adèle". Depois da premiação e de todos os comentários que cercaram o filme, surge a enorme campanha publicitária que o fez ser um dos filmes mais comentados do ano, tanto quanto os filmes comerciais estadunidenses (e neste meio estavam as entrevistas das duas atrizes principais do filme, em grande parte com tom acusatório, contrárias aos métodos "diferentes" do diretor).


E os boatos se confirmam, "Azul é a cor mais quente" sabe se afirmar como um dos grandes filmes de 2013. O filme começa com Adèle (Adèle Exarchopoulos) saindo de casa e indo para a escola. Na aula, o professor discute o amor a primeira vista e o que sentiam seus estudantes quando acometidos por tal sentimento. Certo dia, atravessando a rua, ela se depara com uma jovem, de cabelos curtos tingidos de azul. Esta garota não sai de sua cabeça. Pouco depois encontra a tal garota, Emma (Léa Seydoux), e com ela inicia uma relação amorosa.

Neste ponto, com a relação amorosa entre as garotas, o diretor Abdellatif Kechiche coloca algumas sutilezas para demonstrar como aquela jovem de cabelos azuis está sempre presente no pensamento de Adèle, mesmo que não seja dito. Ela está na fumaça azul que surge em frente à protagonista quando ela está em uma manifestação, nas roupas que a jovem veste, nos olhos de Emma, e até mesmo em um letreiro que se apresenta ao fundo quando ela está sentada em um parque. O azul, tão bem captado no título nacional do filme (originalmente criado nos EUA), é o que representa a paixão de Adèle por Emma, é o detalhe que as une.

Esta sutileza é mais fácil de ser notada no segundo momento do filme, quando o azul desaparece dos cabelos de Emma. A relação entre elas perde o calor inicial, e o distanciamento aumenta. O azul não some somente dos cabelos da amante de Adèle, ele desaparece de todo resto do filme (e até mesmo do quadro em que Adèle é retratada, sobrando alguns pontos que poderiam significar a vontade da retratada de reatar a relação). O azul está apenas nas roupas de Adèle, que é quem deseja retomar a relação para como ela era antes.

São as sutilezas que Kechiche coloca no filme que o transformam em uma obra tão falada. O diretor, em algumas de suas entrevistas, disse que queria banalizar o amor entre pessoas do mesmo sexo, por isso desenvolver um filme cheio de sutilezas, que aborda um tópico tão debatido nos dias atuais - o que poderia facilmente transformar este em um filme militante - em algo natural, comum.

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