terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Sobre Godard


"Como os estudos lhe deixam muito tempo livre, Godard frequenta regularmente o cineclube do Quartier Latin, onde descobre o cinema e conhece Éric Rohmer, Jacques Rivette, e François Truffaut. Ele é também asspiduo às sessões da Cinemateca Francesa, na avenida de Messine. Em 1950, publica artigos em La Gazette du Cinéma, que Éric Rohmer dirige. O primeiro trata de Sangue do meu sangue (House of strangres), de Joseph Mankiewiks. [...] O segundo artigo intitula-se "Pour un cinéma politique" e termina assim: "Cineastas franceses a quem faltam roteiros, infelizes, como vocês ainda não filmaram a partilha de impostos, a morte de Phillipe Henriot, a vida maravilhosa de Danielle Casanova?" (Gazette du Cinéma, n. 3, stembro de 1950)."

...

"Marc Cerisuelo, em seu estudo sobre Godard, é um dos primeiros a insistir sobre a importância dos artigos de crítica do futuro cineasta, matriz temática de seus roteiros posteriores. Os diálogos de Acossado, seu tecido denso de referências, tanto fílmicas quanto literárias, retomam numerosas fórmulas encontradas nos artigos. Vejamos dois exemplos: os versos de Aragon recitados pelo próprio Godard em falsa banda sonora do western projetado no Napoléon, logo que Poiccard e Patricia se refugiam no cinema, haviam sido citados  já em outubro de 1950, no fim do artigo sobre A ronda (la ronde, Gazette du Cinéma, n. 4): 'Já disse: 'ao bisel dos beijos - os anos passam tão rápido' e a vida é um pouco como quando se dança".


(textos presentes em "A Nouvelle Vague e Godard" de Michel Marie)


Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...