domingo, 30 de junho de 2013

O espectador emancipado





Quando o espectador vai ao cinema, não consegue se despir de seus conhecimentos ou de sua cultura. O sujeito, quando confrontado com um produto audiovisual, recebe mensagens que se espera que sejam por ele decifradas. Por exemplo, ao assistir a um filme de Akira Kurosawa espera-se que o espectador possua algum conhecimento do que sejam samurais. Ou ao assistir "Deus e o Diabo na Terra do Sol" de Glauber Rocha, ele saiba o que são cangaceiros.

Envolvido em uma cultura, sua visão ou interpretação acerca de um filme será diferente de acordo com cada espectador mergulhado em cada cultura. Daí surgem as famosas acusações aos filmes que retratam aquilo que os indivíduos membros de uma determinada cultura reconhecem como real, e o que é feito para apresentar uma determinada cultura a outra. O sujeito que vive uma determinada realidade em seu cotidiano reconhece a veracidade de sua cultura quando retratada na tela. Mas esta veracidade com que o sujeito que vive aquela cultura, pode não ser aceito pelo sujeito que não conhece esta mesma cultura, e que o filme teria por finalidade apresentá-la. 

É muito comum vermos o embelezamento de culturas para que outras sociedades possam ser apresentadas àquele ambiente "exótico". E muitas são as acusações de serem feitos. O que é realmente difícil de ser encontrado é um filme que entre nas profundezas da cultura de determinado povo para que estes possam reconhecer-se na tela. São raros por não trazer glória para o realizador. É um filme que fica fadado a ser representante de determinado povo e nada mais. Fica restrito para aquele povo.

É o caso do cinema nacional. Muitos filmes são feitos em vista de apresentarem para o resto do país a cultura de uma determinada localidade, tendo sempre como base o dever de ser justo com aquela cultura e de apresentar verosimilhança com o real. Nesta batalha de ser fiel a uma cultura e apresentar a mesma para as demais culturas o filmes sofre com os ataques daqueles que não tem o interesse de conhecer culturas de outras localidades, que quer ver somente uma história, ou o espectador que julga um filme partindo de sua própria cultura, sacrificando aquela mensagem apresentada na tela (a pluralidade cultural). Afinal de contas o espectador senta no cinema com um conjunto de conhecimentos prévios que irá utilizar para julgar a obra que será apresentada.

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