domingo, 10 de março de 2013

La Jetée


Espaço e tempo são as duas condições sem as quais o cinema é impensável. Será mesmo? 

Retirar o tempo de uma narrativa cinematográfica é impossível. O tempo sempre estará presente, de qualquer maneira, mas o espaço pode ser retirado. É assim que Chris Marker desenvolve La Jetée, curta-metragem de 1962, formado apenas por uma coleção de imagens e uma narração em off que contam uma história de ficção-científica. Utilizando fotos, Marker desfaz o espaço. A justificativa se encontra no enredo do filme.

Em um mundo pós-apocalíptico, o espaço está comprometido, residindo no tempo a única salvação dos membros restantes da humanidade, fazendo com que eles que tenham viajar constantemente no tempo, voltando para o passado para garantir a sobrevivência da população do futuro. O espaço está comprometido, forçando o cineasta a contar sua história sem fazer uso dele, apenas do tempo. E dá certo.

Com esta construção Marker nos mostra que o essêncial para o cinema é o tempo e não o movimento. O movimento auxilia a criação emocional das cenas, mas pode ser dispensada com o uso correto da temporalidade cinematográfica, saber por quanto tempo deve permanecer um plano, durante quanto tempo um plano deve ser mantido na tela para que o seu objetivo seja alcançado.

La Jetée legendado:

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