quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Narrativa Cinematográfica



Por vezes, um filme é julgado pela qualidade de seu roteiro. Não no sentido da forma como a história é narrada, simplesmente pela qualidade literária. Um filme não deve ser julgado como um livro, mas como um filme, e o que mais importa no cinema não é aquilo que é dito, mas aquilo que é mostrado.
Talvez tenha sido esta a maior contribuição da nouvelle vague ao cinema. Grandes diretores eram postos de lado pela crítica que considerava unicamente a qualidade literária de suas produções. Ao pegar histórias banais, ou que recheavam os chamados filmes B hollywoodianos, os jovens diretores da nova onda do cinema francês mostravam o que realmente valia era a maneira pela qual a trama era apresentada (a narrativa cinematográfica) e não o conto pelo conto.
A partir deste princípio nascem filmes com tramas simples, mas muito bem elaborados (a exemplo de Acossado de Jean-Luc Godard, e Atirem no Pianista de François Truffaut) e grandes diretores são salvos (como Alfred Hitchcock, cuja forma de narrar um filme foi bastante comentada e apreciada pelas discípulos de André Bazin, o que resultou em alguns livros de autoria de Eric Rohmer e Claude Chabrol e outros de François Truffaut). Mas mesmo assim, ainda hoje é possível encontrarmos filmes que são glorificados ou menosprezados por causa de sua trama, devido a incapacidade de serem julgados pela forma como são narrados, e não pela história que contam.

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