quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Da Diferença entre Suspense e Surpresa


Alfred Hitchcock:

"A diferença entre suspense e surpresa é muito simples, e costumo falar muito sobre isso. Mesmo assim é frequente que haja nos filmes uma confusão entre essas duas noções. Estamos conversando, talvez exista uma bomba debaixo desta mesa e nossa conversa é muito banal, não acontece nada de especial, e de repente: bum, explosão. O público fica surpreso, mas, antes que tenha se surpreendido, mostram-lhe uma cena absolutamente banal, destituída de interesse. Agora examinemos o suspense. A bomba está debaixo da mesa e a plateia sabe disso, provavelmente porque viu o anarquista colocá-la. A plateia sabe a que a bomba explodirá à uma hora e sabem que falta quinze para a uma - há um relógio no cenário. De súbito a conversa banal fica interessantíssima porque o público participa da cena."



TRUFFAUT, François; Hitchcock/Truffaut – entrevistas; tradução: Rosa Freire D’Aguiar; Companhia das Letras, São Paulo, 2010, p. 77

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Experiência do Cinema


Jean Epstein:

"A literatura moderna e o cinema são igualmente inimigos do teatro. Toda tentativa de reconciliação não resultará em nada. Duas estéticas, como duas religiões, não podem conviver lado a lado como estranhas, sem se combaterem. Com esse duplo assédio, das letras modernas e do cinema, o teatro, se não morrer, vai se enfraquecer progressivamente. É um dado consumado. Especialmte um teatro onde o bom ator tem de enfrentar um monólogo de quarenta versos falsamente regulares, lutando para sobreviver à verborragia. O que pode este teatro contrapor a uma tela onde se registra o menor movimento dos músculos e onde um homem, que nem ao menos precisa representar, me encanta porque, simplesmente como homem, o mais belo animal da terra, anda, corre, pára e se volta, às vezes para oferecer seu rosto como alimento ao espectador voraz."




XAVIER, Ismail (org.); A Experiência do Cinema; tradução: Marcelle Pithon; editora Graal,  São Paulo, 2008.p.269-270

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ingmar Bergman


É necessário falar de Bergman.
Na verdade, é necessário não se esquecer a genialidade de Ingmar Bergman.
Bergman foi, outrora, um dos maiores e mais prestigiados cineastas do mundo. 
Hoje, Ingmar Bergman é um dos maiores cineastas da história, mas que aos poucos está sendo esquecido.
Talvez falte um pouco de capacidade para falar sobre Bergman. Seu filmes não são fáceis, tanto o enredo quando na composição das imagens e da criação da narrativa cinematográfica.
Por isso publico esta postagem, seguido de um video de um curso sobre Bergman ministrado pelo professor Sergio Rizzo.




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Edgar Allen Poe - Sexta Cinematográfica


Nesta semana retorno uma das séries que mais gostei de fazer no blog, a sexta cinematográfica. Desta vez trago um filme de D. W. Griffith sobre o escritor que dá título ao filme. Ainda não é possível notar as inovações que fariam de Griffith um mestre do cinema, pai da gramática cinematográfica, mas vale enquanto registro de um cineasta que estava nascendo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Hitchcock/Truffaut - Entrevistas




Alfred Hitchcock:

"Havia certa vez um roteirista que sempre tinha suas melhores ideias no meio da noite e, quando acordava de manhã, não conseguia se lembrar delas. Finalmente, pensou: 'Vou pôr um papel e um lápis ao lado da cama, e quando a ideia chegar poderei escrevê-la'. Então o sujeito se deita e, evidentemente, no meio da noite acorda com uma ideia fantástica; escreve depressa a ideia e readormece todo contente. Na manhã seguinte acorda e, primeiro, esquece que escreveu a ideia. Está se barbeando e pensa: 'Ah! essa não! Tive de novo uma ideia fantástica na noite passada mas agora esqueci. Ah! é terrível... Ah! mas que nada, não esqueci, tinha meu lápis e meu papel!'. Corre até o quarto, apanha o papel e lê: 'Rapaz se apaixona por uma moça'".




TRUFFAUT, François; Hitchcock/Truffaut – entrevistas; tradução: Rosa Freire D’Aguiar; Companhia das Letras, São Paulo, 2010, p. 262

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Cantando na Chuva

este texto faz parte da série "Lendo as imagens do cinema", publicado aqui no blog

Com um punhado de cenas marcantes e canções que fazem parte do imaginário de cinéfilos do mundo todo, "Cantando na Chuva" é, indiscutivelmente um clássico. Um daqueles filmes simples que cativam o espectador justamente por sua simplicidade.

A análise a ser feita aqui é a da cena mais famosa do filme, a dança na chuva.
Don Lockwood (Gene Kelly) sai da casa de sua namorada,  Kathy Selden (Debbie Reynolds), sem conseguir conter a felicidade dentro de seu peito. Desce a escadaria do prédio e logo está a cantar e dançar na rua.
A escada é o ponto crucial de determinadas cenas que marcaram o cinema nestes seus cem anos de história. A escada é aquele elemento de transição, transição do local mais alto para o mais baixo. Aqui a escada assume o papel de manter o filme dentro da realidade que tentou traçar durante toda a metragem. Não é a realidade encontrada no mundo empírico, sensível. É a distinção platônica entre mundo sensível e mundo das ideias. A câmera, com seus super-poderes, nos permite ir para o imaginário do personagem. É na forma da dança que o personagem mostra aquilo que a olho nu não se poderia notar. Como coloca Gilles Deleuze: "é a maneira pela qual o gênio individual do dançarino, a subjetividade, passa de uma motricidade pessoal a um elemento suprapessoal"*. Os sentimentos do personagem são exteriorizados na forma da dança.
Quem disse que um musical não pode ser realista?





*DELEUZE, Gilles; A imagem-tempo; tradução: Eloisa de Araujo Ribeiro; editora brasiliense, São Paulo, 2007.
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