domingo, 27 de janeiro de 2013

Para que serve o cinema?

esta postagem faz parte de uma série que visa fazer um questionamento sobre o cinema enquanto arte e sobre as teorias criadas acerca desta arte no passar deste século do cinema.

O cinema é uma expressão artística que nasceu em um momento onde as artes em geral estavam em crise. Já não se fazia arte com o intuito de mover os sentimentos das pessoas, e sim para se perguntar o que é, para que serve e qual o papel da obra de arte no mundo atual. Dizem que nascer em meio à busca de tantos conceitos fez mal ao cinema. Será mesmo?
O cinema, desde o princípio, foi sustentado por complexas teorias que se embasavam em reflexões políticas e científicas (a exemplo de Eisenstein, que busca Engels e Marx como apoio às suas teses). Foi logo chamada de sétima arte e fez milhares de pessoas terem seus corações arrebatados, é verdade, mas por trás de tudo isto residem estas milhares de teorias que se escondem em livros esquecidos por grande parte do público que vai às salas de exibição. O cinema, ou melhor, os cineastas nunca pareceram se preocupar muito com a diferença entre "teoria de cinema" e "cinema". Muitos até fazendo teoria em filme (a exemplo de Jean-Luc Godard).
A serventia do cinema foi logo reconhecida, primeiro com o clássico do cinema estadunidense, "O Nascimento de uma Nação" de D. W. Griffith, que após seu lançamento fez crescer uma onda de preconceito racial nos EUA: foi depois do lançamento deste filme que grupos como a Klu Klux Klan atingiu número recorde de membros. E na década seguinte foi nas mãos dos soviéticos que, maravilhados com a revolução que acabara de acontecer, buscaram levá-la para o cinema por meio de uma estética que fosse tão revolucionária quanto o governo nascente. Eisenstein é o nome que mais aparece neste cenário, por muitos sendo tido como o principal nome da chamada "escola de montagem soviética". (Eisenstein, por sinal, que deve muito a Griffith em sua criação cinematográfica partindo da montagem). Estes dois pioneiros que foram os grandes responsáveis pela linguagem do cinema (no caso de Griffith pela sistematização, e Eisenstein pela ampliação), encontraram a maneira de filmar certa, que fizesse com que aquilo que é exibido na tela seja semelhante ao que se presencia na realidade - e por consequência mexa com os sentimentos do espectador. 
Para responder a pergunta "para que serve o cinema?" temos a simples resposta (que não esgota a questão e nem é a única resposta que pode ser dada): influenciar o pensamento dos espectadores. Isto acontece em sociedades ditatoriais ou republicanas, revolucionárias ou conservadoras. Porque encontrar a serventia do que quer que seja surge da necessidade de suprir uma demanda - estimular o consumo seria um exemplo de demanda suprida pelo cinema (e neste caso temos Hollywood como principal exemplo). Mas a pergunta que sobra é: será que isto faz do cinema uma arte? Antes de responder esta pergunta é necessária outra: o que é arte? A conclusão que se pode chegar é de que estas perguntas podem até fazer com que o cinema saia da "categoria" de arte, mas o fez evoluir muito.

O cartaz acima responde a pergunta título desta postagem.

(ps: é muito comum dizer que a arte não serve para nada, nem é capaz de mudar o mundo. Penso que seja exatamente o contrário. O cinema, e a arte em geral, trabalha com ideias e são exatamente ideias que mudam o mundo [seja para pior, seja para melhor]. Nos casos de "O Nascimento de uma Nação" e "Triunfo da Vontade", por exemplo, são dois filmes com ideologias bem estabelecidas dentro de seu imaginário particular, que trabalham a seu serviço e foram [no passado] bem sucedidos em sua missão (apesar de Griffith não admiti-lo, preferindo ressaltar o sentimento ufanista da obra). No caso do primeiro, os espectadores abraçavam a mensagem racista enquanto o segundo fazia com que o estado nazista alemão parecesse o estado perfeito, grandioso, como seu líder).

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