terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O cinema é uma arte?



esta postagem faz parte de uma série que visa fazer um questionamento sobre o cinema enquanto arte e sobre as teorias criadas acerca desta arte no passar deste século do cinema.


Não.
O cinema não é uma arte porque não faz arte.
O cinema pergunta o que é arte e a partir da resposta encontrada ele é feito.
O cinema não é arte, mas filosofia da arte.
O cinema não se contenta em ver a natureza e mostrá-la na tela, ele pergunta o que é belo, o que é beleza, a procura na natureza, e reproduz na tela.
No embate Melies versus Lumière, os irmãos inventores do cinematógrafo venceram.
Os Lumière queriam que sua invenção deveria  ser utilizada para fins científicos, e não para o divertimento das massas. Melies pegou esta invenção e passou a divertir as massas. Mas com o passar dos anos este divertimento passou a se tornar coisa séria. O cinema não tinha mais o intuito de somente divertir os espectadores, como tinha também a obrigação de atingir o status de "arte".
Para que conseguisse manter o status de "sétima arte", o cinema se uniu à psicologia e à filosofia para poder dar alguma base respeitável ao modo como era criada. Esta união custou caro ao cinema. Ele já não mais sabe diferenciar a "arte" da "filosofia da arte", e continua a perguntar: "o que é o cinema?", e "para que serve o cinema?", e etc., etc...
Não foi todo o cinema que se uniu a este modo de pensar. O grande problema reside justamente aqui. Muitos dos "filmes de arte", são na verdade realizações que levantam questionamentos e que procuram dar alguma serventia prática para aquilo que, historicamente, não possui serventia prática. O cinema para deixar de ser um mero espetáculo de divertimento quis ser arte, mas por caminhos perigosos. E são estes os caminhos que levam a levantar as perguntas que são feitas neste texto.
Afinal de contas, o cinema é uma arte, ou uma filosofia da arte? Ou seria um meio novo pelo qual os homens tomam como ponto de partida para questões que lhes inquietam? São perguntas que não serão respondidas aqui, pelo simples fato de que o autor deste texto não sabe respondê-las e deixará para seus leitores responderem (ou tentarem).

A imagem de Robert Bresson dizendo o mesmo que eu digo (embora esta série possa aparentar o contrário), e que foi o responsável pela estilo como foi escrito este texto.

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