segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

(500) Dias Com Ela de Marc Webb

por: Yves São Paulo

"Mais uma comédia romântica" diriam muitas pessoas ao chegar ao cinema e ver o título e encarar o pôster de "(500) days of summer" (Marc Webb, 2009), mas como o narrador fala logo no inicio da trama, "esta não é uma história de amor". Narrado de
forma não linear que passeia entre os altos e baixos do relacionamento entre Tom e Summer (daí o título em inglês), este filme do estreante Marc Webb logo no inicio deixa isso claro, logo após os créditos inicias quando Tom (Joseph Gordon-Levitt) está na cozinha de sua casa quebrando seus pratos por causa de mais uma decepção por causa de Summer(Zooey Deschanel). É aí que fica a deixa para que Webb possa apresentar a grande vilã da história.
"Days of Summer" é um filme simples e que poderia ser mais um, se não fosse a inversão dos valores comuns deste tipo de trama. Aqui nós temos o garoto que quer se apaixonar e a garota que não quer um relacionamento sério, que junto com a narração não linear da história faz com que o filme atinja seu diferencial das demais produções do gênero.
Marc Webb conseguiu mostrar seu potencial como cineasta graças ao ótimo roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, que enchem o filme com homenagens ao cinema com referências à filme como "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (Annie Hall, Woody Allen, 1977), "A Primeira Noite de um Homem" (the graduate, Mike Nichols, 1969) e "O Sétimo Selo" (det sjunde inseglet, Ingmar Bergman, 1956) assim como referências à música como o Beatle preferido da Summer ser o Ringo e ambos os personagens principais gostarem do The Smiths.
Este é mais um filme que mostra a capacidade dos novos cineastas de renovarem gêneros que pareciam batidos e fazer aparecer dali algo novo, como se o gênero ressurgisse das cinzas, ou até mesmo que não o fosse. Tanto é um filme bem feito que Marc Webb foi contratado para dirigir a nova trilogia do Homem Aranha.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Exorcista de William Friedkin

por: Yves São Paulo

Considerado um dos maiores filmes de terror da história do cinema, e muitas vezes indicado como o mais assustador, "O Exorcista" (The Exorcist, 1973) é, sem dúvida, uma obra de arte, coisa rara entre os filmes do gênero. O filme do diretor William Friedkin é uma das produções que deram o pontapé inicial para os milionários filmes de Hollywood que custavam muito e ganhavam mais ainda, juntamente com "O Poderoso Chefão" (godfather, Francis Ford Coppola, 1972) e "Tubarão" (jaws, Steven Spielberg, 1975).
Mas o que é que faz de "O Exorcista" um filme tão espetacular que continua a assustar o espectador quase quarenta anos depois de seu lançamento? Sem
dúvida o modo como Friedkin compôs cada cena é o grande trunfo do sucesso. O diretor, que já havia sido consagrado com um Oscar por "Operação França" (the french connection, 1971), coloca em seu terror coisas que causam repulsa no espectador, e as deixa na tela para que quem está assistindo fique a ver aquela imagem que não deveria estar vendo, mas, por algum motivo, fica a apreciar, coisa que foi e é muito imitada nos filmes do gênero.
O inicio do filme nos mostra o padre Merrin (Max Von Sydow) em uma expedição arqueologica, quando encontra um artefato curioso (começo que se tornou clichê nos filme de terror). Viajamos até a casa de uma atriz de cinema que mora com sua filha Regan (Linda Blair), que começa a se comportar de maneira estranha. Após uma bateria de exames que não comprovam nada Chris MacNeil (Ellen Burstyn) vai a procura de um padre que a possa ajudar a tratar sua filha. Este pedaço do filme em que não vimos ainda nenhuma ação do diabo sobre a garota deixa o espectador cada vez mais tenso, e assim William Friedkin mexe com os nervos de quem assiste ao filme para que depois possa apavorá-los com suas seções de exorcismo.
Sem dúvida é um clássico do cinema, e que é um dos poucos exemplares do cinema de terror que mostra que se pode fazer cinema de arte com qualquer gênero que seja. É um dos melhores trabalhos hollywoodianos pós guerra do Vietnam. Para aqueles que não gostam de filmes de terror "O Exorcista" é mais do que isso, é uma obra prima.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Restauração de Redenção de Roberto Pires

por: Yves São Paulo

Redenção é o grande marco do cinema baiano, já que este é o primeiro longa-metragem feito no estado. Aqui apresento um video que mostra a recente restauração do filme dirigido pelo pioneiro Roberto Pires.




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cães de Aluguel de Quentin Tarantino

por: Yves São Paulo

Em sua estreia no cinema, Quentin Tarantino nos mostra um cinema um pouco diferente do que estavamos acostumados a ver. Para não perder o hábito vou analisar a cena de abertura. Os bandidos estão todos sentados em uma típica lanchonete norte-
americana, e nós passamos a acompanhar a discussão depois que eles já terem comido. Falam sobre qualquer coisa do dia a dia, como uma interpretação da música da Madonna, "Like a virgn". Quem faz o personagem que disseca a canção é o próprio Tarantino. A câmera circula ao redor da mesa onde eles estão sentados vestindo seus ternos e gravatas finas. Logo em seguida vem a abertura, os bandidos de terno andando em direção ao espectador em câmera lenta e, fazendo closes em cada um, os seus nomes aparecem(dos atores), mesmo que o personagem quase não apareça no filme.
É uma história simples, um grupo de bandidos que planeja fazer um assalto a uma joalheria e que quando vão praticá-lo são impedidos pela polícia que aparece no local, o que faz levantar a suspeita de que alguém no grupo é um policial infiltrado. Mas o grande ponto do filme são os diálogos rápidos e afiados dos personagens típicos de Tarantino e a montagem da história, já que se ela fosse contada de forma linear seria mais um filme policial. Além disto tudo temos a trilha sonora, clássico no cinema tarantinesco, que até os créditos finais aparecem no filme através de programas de rádio. Em "Reservoir Dogs" os planos são longos, o que não é comum de encontrar no cinema moderno.
Em entrevista o diretor disse que poderia ter feito este filme com 13 mil dólares em uma garagem e algumas outras locações, mas para a sua sorte o ilustre Harvey Keitel queria atuar no filme, o que deu condição para que este filme fosse feito com um pouco mais de um milhão de dólares. Após esta produção Quentin Tarantino foi chamado para fazer filmes nos estúdios, mas não quis, e se isolou para que pudesse escrever "Pulp Fiction".
"Cães de Aluguel" se tornou um clássico nos últimos tempos, já que é mais um filme que fez milhares de pessoas modificarem a sua forma de ver e fazer filmes.
(Cães de Aluguel, título original: Reservoir Dogs, Quentin Tarantino, 1992)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...