quarta-feira, 22 de junho de 2011

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa de Woody Allen

por: Yves São Paulo

O título brasileiro é o pior do filme. Não é possível traduzir o título original pelo simples fato de ser o nome da personagem de Diane Keaton, Annie Hall. A película, de 1977, levou quase todos os cinco Oscar a que foi indicado, o que faltou foi o prêmio de melhor ator para Woody Allen.

Este é um exemplo de filme de autor, onde além de dirigir, Allen ainda escreve e estrela o filme, e não poderia ser outra pessoa para fazê-lo, o personagem Alvy Singer parece ser o alter-ego do cineasta.

O longa começa com o protagonista falando diretamente para o espectador, como se este fosse um analista, e usa piadas para explicar seus problemas com relacionamentos, fazendo uma alto-análise, como ao apresentar uma piada de um dos irmãos Marx “não faço parte de nenhum clube que aceitem pessoas como eu como sócio” e diz que sente o mesmo com relação aos relacionamentos. Unindo isto tudo a fala apressada de Alvy, esta primeira cena nos mostra como será o filme daqui para frente, simples (como a parede vazia ao fundo), porém interessante e inteligente, como o monólogo com o qual Allen começa o filme.

Durante o filme Woody Allen nos levará para diversos lugares, e para diversos tempos, para sua infância, na escola, quando já tinha interesse por garotas aos seis anos, e já adulto se materializa na sala de aula e trava um diálogo com sua professora sobre o assunto. Talvez seja esta precocidade do personagem que o atrapalhe em suas relações futuras.

Assim é Annie Hall, um filme sem grandes cenários e figurinos, onde o forte está na criatividade da montagem, dos diálogos, e nas grandes atuações de quem protagoniza e de quem apenas coadjuva. Vale muito a pena assistir.

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