quinta-feira, 10 de março de 2011

Pulp Fiction de Quentin Tarantino

por: Yves São Paulo

Que fique claro que esta crítica se refere ao segundo filme de Quentin Tarantino, que só havia filmado "Cães de Aluguel" (reservoir dogs, 1992), nenhum curta metragem antes disso, e é com seu segundo filme que ele entra para a reservada lista de gênios do cinema que fizeram sua obra prima logo no inicio da carreira sem ter muita ou qualquer experiência, como: Orson Welles (que havia filmado apenas dois curtas antes de sue inesquecível "Cidadão Kane"), ou François Truffaut (que também havia filmado apenas dois curtas antes de seu "Os Incompreendidos")*.
O filme começa rápido, com uma discussão de um casal de assaltantes sobre o melhor lugar para assaltar sem que eles tenham algum problema, se encerrando com eles assaltando o local onde estão tomando seu café da manhã. Logo nos lembramos de um filme que havia sido lançado pouco tempo antes deste, "O Bons Companheiros" de Martin Scorsese (goodfellas, 1990), que tem seu inicio com um trio de mafiosos enterrando um rival.
Fiz a comparação de Tarantino a Scorsese por serem dois estilos muito parecidos de filmar, rápidos, com diálogos ácidos (embora não seja Martin Scorsese quem assine a maioria dos roteiros de seus filme, ao contrário de Tarantino) e uma trilha sonora que constantemente se volta para o pop para que as cenas ganhem um tom mais forte e mais veloz do que seriam sem elas. Mas algo que não é parecido no cinema de ambos é a forma como seus filmes são montados, e este é um grande exemplo da montagem "Diferente" que Quentin Tarantino utiliza em seu cinema.
O filme se inicia no já referido assalto à lanchonete que é interrompida pelos créditos iniciais que ao terminar leva o espectador para outro local acompanhar uma dupla de assassinos de aluguel. Um deles é bastante ironico e imprevisível que adora gritar com suas vítimas (Jules, interpretado por Samuel L. Jackson), o outro faz um tipo um pouco mais psicopata, que fica em silêncio na maior parte da cena, mas que faz o seu trabalho quando tem que fazer (Vincent, interpretado por John Travolta). E assim vamos avançando na trama até que no final temos uma surpresa que havia sido programada na montagem, algo que apenas Quentin Tarantino parece ter coragem de fazer, ou que ninguem mais tenha coragem de repetir com medo de que pareça uma imitação.
Assim Quentin Tarantino conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, com uma trama revolucionária, onde os "heróis" são assassinos e um final que não é o fim da história. (Confuso? Assista ao filme que entenderá).

*site IMDB.

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