sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sexta Cinematográfica - O Guarani

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Este é mais um filme do catálogo do site Porta Curtas. Muito interessante este curta-metragem baiano pois nos trás uma história que parece ficção (e que já foi abordada em alguns filmes como o maravilhoso "Cinema Paradiso"), mas que se trata da mais pura e triste realidade onde nos é mostrada a vida do cinema Guarani, antigo cinema de Salvador-Ba.
Dirigido por: Cláudio Marques e Marília Hughes.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Lançamento do Dia do Documentário

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No dia 7 de agosto de 2011 foi lançado o dia nacional do documentário, a data homenageia o cineasta Olney São Paulo que nasceu neste dia. Para fazer a estreia foi exibido o curta-metragem "Manhã Cinzenta" do cineasta baiano.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Francis Ford Coppola, o líder da nova Hollywood

Nascido no dia 07 de abril de 1939, Francis Ford Coppola é um dos nomes mais importantes da cinematografia mundial, sendo responsável por grandes filmes que agradam aqueles que são fãs do estilo de filmar dos anos de ouro do cinema como das novas gerações, e é desta nova geração que ele faz parte.

Era o grande nome da geração de garotos que tomou Hollywood na década de 1970, fazendo alguns dos maiores sucessos da década, tanto de crítica quanto de bilheteria, exemplo disto são os filmes “O Poderoso Chefão”, partes um e dois (The Godfather, 1972, 1974) e “Apocalypse Now” (1979). Era o jovem que liderava o grupo, já que havia conseguido fazer um longa-metragem aos 27 anos.

Com esta responsabilidade nas costas Coppola abriu a American Zoetrope, que deveria ser o estúdio onde os jovens recém saídos das recém criadas universidades de cinema dos EUA poderiam ir se refugiar e contar às histórias que conheciam, filmando-as na rua, sem a pressão de nenhum dos grandes estúdios. Mas os sonhos não conseguiram vir para a realidade por completo, e o único jovem que conseguiu fazer um filme produzido por Coppola na Zoetrope foi George Lucas, que fez "THX 1138" (1971), uma adaptação de um curta-metragem seu, com o qual Lucas ganhou alguns prêmios.

Com a Zoetrope a beira da falência, Francis Ford teve de abandonar seus ideais de filmar diretamente na rua - onde as histórias acontecem - usando câmeras 16mm, para fazer “O Poderoso Chefão”, típico filme de estúdio, que requeria um alto orçamento, e que não seria uma história do próprio Coppola, mas aí ele deu um jeito.

O primeiro filme da saga da família Corleone é recheado com atores pouco conhecidos na época, mas com grande talento, como Al Pacino, que depois deste filme passou a ser uma figura importante na figura do cinema americano. Não foi fácil conseguir isto, tanto que Coppola ofereceu "The Godfather II" para o então desconhecido Martin Scorsese, já que ele também é descendente de italianos.

Foi nesta década (1970) que o cineasta conseguiu algumas proezas notáveis, como ganhar cinco Oscars, o primeiro como roteirista do filme “Patton” (1970), e os últimos com melhor filme, diretor e roteiro com “O Poderoso Chefão parte II” (the gadfather part II, 1975) e duas palmas de ouro com “A Conversação” (the conversation, 1974) e “Apocalypse Now” (1979).

Segue uma lista das principais obras do cineasta:

O Poderoso Chefão com Marlon Brando e Al Pacino – 1972

A Conversação com Gene Hackman e John Cazale – 1974

O Poderoso Chefão parte II com Al Pacino e Robert De Niro – 1974

Apocalypse Now com Marlon Brando e Martin Sheen – 1979

Drácula de Bram Stoker com Gary Oldman e Wonona Ryder – 1992

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sexta Cinematográfica - Hugo Cabret de Martin Scorsese

por: Yves São Paulo


O mais novo filme de Martin Scorsese é infantil, bem longe de tramas violentas como "Taxi Driver" e "Os Bons Companheiros". Se aventurando por um campo que vem ganhando cada vez mais espaço, Scorsese resolveu que com uma história fantástica trabalhar com 3D seria mais fácil do que com enredos parecidos com o de seus filmes anteriores. No trailer já é possível ver alguns pontos comuns em obras anteriores do cineasta que revelam seu estilo de filmar, como uma trilha sonora que não foi feita para o filme, e que consegue dar um ar mais dinâmico à narrativa. O lançamento de "Hugo Cabret" por aqui está marcada para o dia 20 de janeiro de 2012.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Hard Day's Night de Richard Lester

por: Yves São Paulo

Dia internacional do rock 'n' roll, e para comemorar este dia trago para o blog o filme "A Hard Day's Night" ou "Os Reis do iê, iê, iê" como aqui ficou conhecido, mas vou manter o título inglês por se tratar do nome da famosa música dos Beatles. Para quem não conhece esse filme que fique logo claro de que este não é apenas um filme sobre uma banda onde qualquer desculpa é usada para que o grupo toque suas músicas para fazer propaganda do seu novo disco, mas se trata de um filme que vem com algumas inovações para a época.

A “nouvelle vague” estava atingindo o seu auge, mexendo com a cabeça de todo jovem cineasta que queria mostrar mais que um musical com final feliz na tela, mas a realidade nua e crua das ruas do mundo todo, e é com esta ideia que Richard Lester faz o seu filme de maior sucesso. Ele faz “A Hard day’s...” possuir uma áurea de documentário, onde os quatro Beatles são chamados por seus nomes reais, fazendo com que parecesse que estamos a acompanhá-los em um dia comum, onde eles vão a uma TV gravar um programa.

Já que é para possuir uma áurea de documentário, Lester utiliza bastante a câmera na mão, recurso que ficou muito comum após a revolução do movimento francês. Desta forma, podemos seguir o quarteto pelas ruas, em suas correrias para fugir das fãs ou em festas que eles vão.

A cena de abertura da película, onde John, Paul, George e Ringo fogem de suas fãs ao som da música título já mostra logo o que veremos pela frente. Com uma montagem rápida (que hoje é chamada de montagem de videoclipe) Lester reúne diversos detalhes para que tudo pareça rápido, e se encaixe dentro do tempo da música, já que neste meio tempo cada componente do grupo já de disfarçou ou se escondeu em um lugar estranho, sem precisar mostrar como ele ficou daquele jeito ou como ele chegou ali.

São diversos os motivos que fazem deste filme um clássico que continua vivo até os dias atuais, mas talvez o que realmente o faz continuar novo através dos anos não seja a sua câmera na mão (na moda nos dias atuais graças às câmeras portáteis), mas a sua trilha sonora.

Clique no link abaixo e veja a cena de abertura do filme.

http://www.youtube.com/watch?v=j9FQhRu5HMs

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de Jean-Pierre Jeunet

por: Yves São Paulo

Jean-Pierre Jeunet nos trás uma obra única e fabulosa com este que é o seu quarto filme, e o de maior sucesso. “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” é um show para os olhos e ouvidos de quem assiste, e nos mostra que a terra natal do cinema está sempre a se reinventar e nos surpreender.

Para os nossos olhos, Jeunet nos deixa encantados com todas as cores vivas de cada cenário, onde o verde fica mais verde e o vermelho parece mais vermelho do que nas demais películas já feitas. Para os ouvidos os incríveis diálogos dos preciosos personagens e a maravilhosa trilha sonora de Yann Tiersen.

A história do filme nos mostra Amelie Poulain (Audrey Tautou) uma mulher de 28 anos que quer melhorar a vida de todos a sua volta, e que termina por se ver ajudando a si própria, bolando seus planos mirabolantes. Este pode parecer apenas uma versão francesa de “Forrest Gump” (Robert Zemmekis, 1994), mas vai mais além, já que não fica presa na narração do personagem principal, e sim do diretor, que mostra o que quer, utilizando artifícios incomuns, como ver através do bolso da roupa de Amelie e ver que ela carrega uma chave.

Logo esta não uma simples comédia romântica, o roteiro do longa nos envolve e faz desta uma produção única, que se um dia for regravada não passará de uma mera imitação. “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” é uma verdadeira obra de arte.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa de Woody Allen

por: Yves São Paulo

O título brasileiro é o pior do filme. Não é possível traduzir o título original pelo simples fato de ser o nome da personagem de Diane Keaton, Annie Hall. A película, de 1977, levou quase todos os cinco Oscar a que foi indicado, o que faltou foi o prêmio de melhor ator para Woody Allen.

Este é um exemplo de filme de autor, onde além de dirigir, Allen ainda escreve e estrela o filme, e não poderia ser outra pessoa para fazê-lo, o personagem Alvy Singer parece ser o alter-ego do cineasta.

O longa começa com o protagonista falando diretamente para o espectador, como se este fosse um analista, e usa piadas para explicar seus problemas com relacionamentos, fazendo uma alto-análise, como ao apresentar uma piada de um dos irmãos Marx “não faço parte de nenhum clube que aceitem pessoas como eu como sócio” e diz que sente o mesmo com relação aos relacionamentos. Unindo isto tudo a fala apressada de Alvy, esta primeira cena nos mostra como será o filme daqui para frente, simples (como a parede vazia ao fundo), porém interessante e inteligente, como o monólogo com o qual Allen começa o filme.

Durante o filme Woody Allen nos levará para diversos lugares, e para diversos tempos, para sua infância, na escola, quando já tinha interesse por garotas aos seis anos, e já adulto se materializa na sala de aula e trava um diálogo com sua professora sobre o assunto. Talvez seja esta precocidade do personagem que o atrapalhe em suas relações futuras.

Assim é Annie Hall, um filme sem grandes cenários e figurinos, onde o forte está na criatividade da montagem, dos diálogos, e nas grandes atuações de quem protagoniza e de quem apenas coadjuva. Vale muito a pena assistir.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sem Destino de Dennis Hopper

por: Yves São Paulo

Sem Destino (easy rider) é um documento histórico não apenas por seu enredo abordar uma geração, mas por esta ser a película que mudou a forma de Hollywood fazer seus filmes. Para começar, a produção era de um bando de jovens de cabelos longos, hippies, que se aventuravam no mundo do cinema, e faziam deste filme de baixo orçamento uma tela para exibir para o mundo a sua geração.
Foi o inicio da revolução na indústria de cinema dos EUA. A partir daqui os estúdios colocariam nas mãos de jovens diretores filmes que antes eles só dariam para nomes já consagrados, já que "Easy Rider" custou cerca de 400 mil dólares e rendeu algo em torno de 20 milhões.*
O filme acompanha a história de dois traficantes/motoqueiros que após fazerem um grande negócio resolvem cruzar o país (EUA) para ver o carnaval na costa leste. Durante esse trajeto o filme faz um retrato do país, e finalmente mostrando o que realmente é a tal geração sexo-drogas-e-rock 'n' roll.
A primeira cena do longa mostra logo a transformação visual que acompanharia os filmes da década seguinte. Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper) fazem um negócio com um imigrante latino, comprando uma grande quantidade de cocaína (artigo raro na época e que segundo Hopper, o filme ajudou a massificar). Nesta cena a imagem de pessoas que estavam no local, e que pararam para ver a ação (a gravação do filme) é inserida, dando um ar de realidade, um ar de documentário à produção, coisa que depois foi repetidas diversas vezes, servindo de inspirarão para a geração que queria em filmar, como também a liberdade de sair do "quintal dos estúdios" e filmar nas ruas, filmar a ação onde ela aconteceria.
Este é Sem Destino, filme dirigido por Dennis Hopper, produzido por Peter Fonda, escrito pelos dois mais Terry Southern, e que ainda tem um jovem Jack Nicholson coadjuvando ao lado dos dois motoqueiros. Revolucionário, com belas imagens e atuações, e uma trilha sonora que marcou a história do rock e do cinema (até os dias atuais o tema de abertura de easy rider é utilizada em filmes de motos e carros, e até em reportagens ou propagandas de TV quando vão exibir algo relacionado com os automóveis).


* Segundo o livro "Como a geração sexo drogas e rock 'n' roll salvou Hollywood" de Peter Biskind.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os Incompreendidos de François Truffaut

por: Yves São Paulo

O primeiro longa-metragem da carreira de François Truffaut é uma marco não só para sua carreira, mas também para o cinema mundial. Neste filme, muitas vezes dito como uma autobiografia do próprio diretor, que ganhou o prêmio de direção no festival de Cannes de 1959, ano do lançamento do filme.
"Os Incompreendidos" é um marco não só por se tratar de um belo filme, com uma história comovente, mas por ser uma das produções pioneiras da nouvelle vague, a nova onda do cinema francês que modificou a forma de toda uma geração de ver e fazer cinema, se tornando influência direta de movimentos como a Nova Hollywood e (me atrevo a dizer, já que a obra fundadora do movimento é datada do ano de 1955) até o Cinema Novo.
O que os três movimentos tem em comum é o desejo de fazer cinema de arte gastando pouco dinheiro (o que acabou não se cumprindo com a nova Hollywood). Partindo deste ponto "Les 400 coups" nos exibe um filme onde o diretor faz não só o roteiro, mas também se preocupa com o cenário, sendo creditado seu nome nesta função. O áudio da obra foi gravado enquanto se filmava, para que não precisasse ser gasto dinheiro com a dublagem do filme inteiro posteriormente.
Aqui, Truffaut nos apresenta Antoine Doinel, um garoto de pouco mais de dez anos que é maltratado por todos, desde seu professor, até seus pais. Não aguentando tanta injustiça Doinel foge de casa algumas vezes, praticando alguns delitos para poder sobreviver, até o dia em que é pego pelo pai roubando a máquina de escrever da empresa onde ele trabalhava (ele, o pai) e assim acaba indo para uma instituição de menores infratores.
A obra foi indicada ao Oscar de melhor roteiro original, prêmio normalmente indicado para narrativas inovadoras, o que é o caso de "Os Incompreendidos". Hoje, este filme pode não parecer tão diferente dos demais justamente pelo fato de ter sido copiado diversas vezes, já que após ter sido apresentado ao público, o longa se tornou uma referência para a maioria dos cineastas que vieram depois.
Esta película, pioneira do cinema moderno e deve ser vista por todos aqueles que queiram ter algum conhecimento sobre a arte de fazer filmes.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sexta Cinematográfica: Jardim das Folhas Sagradas de Pola Ribeiro

por: Yves São Paulo


Mais um filme desta produtiva safra baiana, "Jardim das Folhas Sagradas" de Pola Ribeiro (atual diretor do instituto de radiodifusão educativa da Bahia) premiado cineasta do estado que, até onde sei, conseguiu concluir este filme que foi exibido no Los Angeles Brasilian Film Festival deste ano saindo vencedor do prêmio de melhor fotografia.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Kill Bill, volume um de Quentin Tarantino

por: Yves São Paulo

Kill Bill talvez seja o filme que apresentou Tarantino para grande parte do público. Muitas destas pessoas não gostaram do encontros pois se depararam com uma produção extremamente violenta. Logo na primeira parte do filme a pancadaria já está sendo apresentada para o espectador. Quem o conhecia sabia que aquilo era algo novo, sem revolveres, duas mulheres lutando de mãos limpas dentro de uma típica casa norte-americana.
A primeira cena do filme trata de nos apresentar à Noiva. Em uma cena em preto e branco vemos a protagonista ensangüentada caída no chão vestida de noiva e alguém fora da imagem que conversa com ela e termina por dar um tiro na tal personagem.
É um filme de vingança como os Posters anunciam, mas é um filme de vingança feito por Quentin Tarantino, um dos mais cultuados cineastas dos últimos tempos. Com cenas cuidadosamente filmadas para que tudo pudesse parecer mais real do que o que seria na realidade, como na seqüência das lutas no Japão, onde a Noiva luta contra milhares de membros da máfia japonesa. É uma nítida crítica (que o cineasta diz serem homenagens) aos animes violentos onde sangue não falta e isso Kill Bill têm de sobra, já que cenas de mutilações com sangue jorrando durante longos minutos não faltam.
Para completar encontramos neste singular longa uma seqüência inteira de animação (no mais puro desenho japonês) para contar a história de O-Ren Ishii que faz parte da sanguinolenta segunda parte deste filme. Para os mais sensíveis(que não agüentam ver sangue), melhor não assistir esta produção.
Embora estes diversos aspectos positivos "Kill Bill volume 1" é um filme fraco se comparado às outras produções anteriores do diretor (Pulp Fiction e Cães de Aluguel) e como posteriormente se veria é mais fraco do que o sua continuação (que seria unido a este filme, mas não alcançaria metade do público que alcançou). Mas mesmo assim é uma bela obra, com uma fotografia e montagem marcantes, além de ser a oportunidade de vermos este singular diretor trabalhar no mundo do desenho animado.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Novo Cinema Brasileiro

por: Yves São Paulo

O cinema brasileiro sempre tentou achar a sua cara. Podemos dizer que estamos perto de encontrá-la e finalmente fazer amizade com os espectadores. Há muito tempo que o cinema nacional não terminava um ano no topo da bilheteria nacional, mas desde que a década passada começou nós chegamos mais perto dela.
Hoje o cinema brasileiro não só agrada a crítica como em tempos passados, mas o público também, que começa a trocar as seções dubladas por filmes, em sua maioria, 100% nacionais. Algumas destas produções fazem sucesso não só aqui, mas no exterior também, como é o caso de "Cidade de Deus" de Fernando Meirelles, cineasta que conseguiu abrir algumas portas estrangeiras após o citado filme.
O problema que o cinema nacional enfrenta ainda em dias atuais, mas que parece estar superando, é a vontade dos cineastas brasileiros quererem se igualar com os diretores europeus e ganhar o tão desejado título de "Artista" e desta forma termina por fazer filmes cansativos, lentos, onde a narrativa demora muito para dizer o que realmente quer. Retomando o exemplo de Meirelles, ele fez um filme que se encaixa no que deve ser feito atualmente pelos diretores, um filme que consiga unir arte e dinheiro.
A ausência de uma indústria de cinema em nosso país tropical é explicada apenas pelo fato de que o espectador não consegue se ver nos filmes que são feitos ou não conseguem compreender a complicada trama que lhe é apresentada. Diversos são os filmes feitos na zona rural, longe da realidade das pessoas que lotam as salas de cinema nacionais. Os dois grandes sucessos de público e crítica desta década que passou conseguem unir o que quem vai à sala de projeção quer ver, e ainda conseguiu agradar os entendidos da sétima arte. "Tropa de Elite" (José Padilha) e "Cidade de Deus" (Fernando Meirelles) são ambientados na cidade e tratam de problemas que os moradores da cidade conhecem bem, ou seja, se identificam com a trama, além da rapidez da narração de ambas as produções.
Se forem seguidos, o novo cinema brasileiro só tende a crescer, o que não pode mais é colocar cenas para chocar a platéia, o que é sempre um erro, já que a platéia não gosta de ser surpreendida a não ser que peça para ser surpreendida (quando vai assistir a um filme de terror ou suspense, por exemplo). O povo brasileiro quer se ver na grande tela, por isso tem que se analisar mais de perto o que tem que ser mudado na parte da criação dos filmes para que este público possa ir ver os nossos trabalhos.

sábado, 23 de abril de 2011

Sexta Cinematográfica: Tarantino's Mind

por: Yves São Paulo

Mesmo sendo sábado, resolvi postar este filme aqui como parte do projeto que havia há algum tempo começado intitulado Sexta Cinematográfica. Este curta-metragem dirigido por Selton Mello e Seu Jorge é um cult da produção curtametragista atual e nele se discute sobre os filmes do Quentin Tarantino em um bar. Vou parar por aqui para não acabar dando spoilers sobre o filme que segue, que acima de tudo é bastante divertido.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

American Graffiti de George Lucas

por: Yves São Paulo

George Lucas é um grande diretor. Muitos não o consideram devido ao sucesso financeiro de suas produções, mas se não fossem, Lucas seria um diretor aclamado no mundo do cinema.
Na década de 1970 quando ele dirigiu seus três primeiros longas ele provou para muitos o seu potencial como artista, sendo que foi indicado ao Oscar duas vezes como diretor, uma por sua obra mais famosa, "Star Wars" ou "Guerra Nas Estrelas" (1977), e outra pelo filme que lhe deu crédito para fazê-la, "American Graffiti" ou, como foi traduzida por aqui "loucuras de verão" (1973).
George Lucas vinha de um estrondoso fracasso comercial e de crítica, um filme "de arte", uma espécie de refilmagem de um curta-metrgem seu de sucesso (feito quando estava na universidade) pelo qual ganhou alguns prêmios e que terminou por chamar a atenção de alguém, que já era cultuado pelos jovens ou aspirantes a cineastas, Francis Ford Coppola, que se tornou o padrinho de Lucas em Hollywwod e produtor de seus dois primeiros filmes.
American Graffiti é a versão de "Os Boas Vidas" americana. George fez algo muito parecido com o que Fellini fez. A trama apresenta um grupo de jovens que moram em uma cidadezinha do interior na ultima noite de dois deles, que vão deixar a cidade para ingressarem a universidade. O filme é uma comédia banhada pelo inicio do rock 'n' roll e garotos em seus carros. Temos quatro jovens.
Curt (Richard Dreyfuss) um dos garotos que vai para a universidade, mas no ultimo momento fica em dúvida, segundo Lucas, é o personagem que mais se parece com ele, e que termina por se envolver com um grupo de punks. Steve (Ron Howard) é o garoto popular desejado por todas as garotas da escola, e que no inicio da noite parece ter certeza de que vai sair da cidade mas no fim dela fica balançado por causa de sua namorada Laurie (Cindy Williams) que vai ficar na cidade pois ainda não terminou seus estudos. John (Paul LeMat) um garoto que aposta corridas com quem quiser desafiá-lo e Terry (Charles Martin Smith) um garoto que não parece ter nenhum futuro (como nos será dito posteriormente) e que tenta ser popular usando o carro de Steve.
O filme é um retrato de uma geração que chegava ao fim que tinha como grandes preocupações a saída de "casa para encontrar uma nova casa", geração esta que seria sacudida pouco tempo depois pela guerra do Vietnã e pelo movimento Hippie (e junto com ela a mudança do estilo de se fazer rock 'n' roll).
O filme foi indicado a cinco Oscars, incluindo melhor filme e melhor diretor. É só uma prova de uma grande cineasta que o mundo deixou de ter por causa de críticas ofensivas a um belo trabalho.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual

por: Yves São Paulo

Para ter informações com segurança sobre o cinema nacional acessem o site do governo:
lá vocês verão estatísticas sobre o mercado cinematográfico nacional, e até teses e dissertações sobre o audiovisual brasileiro.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Hollywood, A Meca do Cinema

por: Yves São Paulo

Toda vez que uma geração está prestes a chegar ao fim em Hollywood os veteranos dizem as mesmas coisas, "Hollywood já não é mais a mesma" ou "Hollywood já não tem mais o glamour de outrora", pelo fato de que o cinema tem que se transformar para conseguir atrair as novas gerações.
Esta é uma realidade que existe há tempos, já que no longínquo ano de 1936 o jornalista e escritor Blaise Cendrars escreveu em seu livro "Hollywood a meca do cinema" os comentários de pessoas que trabalhavam nos estúdios falando sobre a "crise de estrelas" e o "brilho" que começava a se apagar. Nesta época os veteranos, que se julgavam e eram julgados como as vozes da razão e da experiência no meio cinematográfico, e estavam apenas começando a fazer um novo tipo de cinema, o falado.
O cinema nunca esteve em crise, pelo menos o de Hollywood não. No mesmo livro Cendrars escreve que o mercado norte americano de cinema lucrou no ano do crash da bolsa em 1929, nada mais nada menos que dois bilhões de dólares! naquela época alcançar tal valor financeiro não era fácil, já que os ingressos custavam algo inferior a um dólar. Hoje o mesmo mercado alcança em média seis bilhões de dólares, com ingressos que custam em torno de 1000% a mais do que naquela época*.
O livro de Blaise Cendrars é uma ótima opção para quem quer conhecer um pouco mais de cinema, já que o cinema da década de 1930 é pouco lembrado, e o livro serve como um registro histórico de quem viu por ter estado lá. Uma curiosidade que aparece na obra é o relato do escritor dos bastidores do ganhador do Oscar "Ziegfeld, O Criador de Estrelas" (Robert Z. Leonard, the great Ziegfeld).


*por isso as estatísticas de filmes que mais lucraram na história do cinema estão erradas, já que se colocarmos filmes como "...E O Vento Levou" e "E.T. o extraterrestre" em uma lista com valores reajustados eles estarão na lista das 10 maiores bilheteria da história.

sábado, 2 de abril de 2011

35 Anos de Taxi Driver

por: Yves São Paulo

22 de março de 1976 chegava aos cinemas brasileiros um dos filmes mais importantes da história da sétima arte, o filme que deixou Martin Scorsese famoso e com o qual ele levou a Palma de Ouro no festival de Cannes, "Taxi Driver".
O filme foi escrito por Paul Schrader alguns anos antes de ser filmado, foi apresentado à outros diretores antes de chegar a mão de Scorsese, mas foi Briam De Palma quem indicou para o escritor quem seria o diretor perfeito para esta produção. E estava certo!
Desde o começo Robert De Niro era a escolha para protagonizar o filme. Ele já havia trabalhado com o diretor anteriormente em "Caminhos Perigosos"(Mean Streets, 1973), mas pelo fato de não ser conhecido pelo grande publico os produtores Michael e Julia Phillips resolveram esperar um pouco para começar a produção, o que foi mais uma escolha certa, pois De Niro havia atuado em "O Poderoso Chefão, parte II" (the godfather part II, Francis Ford Coppola, 1974) com o qual ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante.
Com pouco menos de dois milhões de dólares o filme foi rodado em grande parte perto dos estúdios em Los Angeles, e em alguns pontos em Nova York, para que todos acreditassem que a história se passe na cidade.
O filme conta a história de Travis Bickle, ex-combatente das forças armadas no Vietnam que mora sozinho em Nova York e que não consegue dormir à noite. Ele anda pelas ruas tentando se distrair, andando de metrô, indo a cinemas pornográficos, até que um dia decide ir a uma agência e se tornar um motorista de táxi, e fazer este turismo noturno ganhando dinheiro. Certa noite uma prostituta de doze anos entra em seu carro aparentemente atormentada e querendo fugir de alguma coisa, mas é impedida por alguém que não vemos quem é. Travis vai atrás desta garota e tentar fazê-la sair deste mundo, e é assim que temos um desfecho inesperado e genial.
"Taxi Driver" é mais que um simples filme é um documento que comprova a genialidade de uma geração de cineastas que queriam fazer uma junção de cinema de arte mais altas bilheterias. Este filme obteve um relativo sucesso, apesar de tudo que é considerado politicamente incorreto como prostituição infantil, violência, preconceito racial... Martin Scorsese é um dos poucos diretores que sobraram daquela época, considerada por muitos a ultima era de ouro do cinema, e graças a esta obra de arte ele continua a encantar as platéias nas salas de cinema do mundo todo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

História do Cinema Brasileiro Parte 1 - 1885 - 1915

por: Yves São Paulo

28 de dezembro de 1895, França, data da primeira seção de cinema da história. Em pouco tempo a sétima arte atravessou o Atlântico e desembarcou em terras brasileiras (não se tem certeza quem a trouxe) para que a primeira seção fosse realizada no dia 8 de julho de 1896. O jornais da época festejaram a novidade fazendo com que milhares de pessoas fossem conferir o que tinha de mais novo no Brasil.
Assim o cinema alcançou o sucesso que não viria a alcançar depois de um longo tempo. No inicio apenas as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro possuíam salas de exibição, e seus donos eram os responsáveis pelo conteúdo do que era exibido, ou seja, os primeiros cineastas nacionais eram os donos das salas onde os filmes eram exibidos. Mas logo outras pessoas trataram de entrar no negócio e formaram as primeiras produtoras cinematográficas do país. As películas estrangeiras eram renegadas pelo público que preferia ver o que eram feito
por pessoas da terra.
O Brasil é um dos países que disputa a posição de dono do primeiro longa-metragem filmado com o filme paulista "Os Estranguladores" de 1906. Mas logo o negócio escapuliu por entre os dedos e empresas norte-americanas compraram os cinemas nacionais. Foi o começo da queda do cinema nacional, quando os filmes feitos em Hollywood passaram a ser exibidos nos cinemas no lugar dos filmes nacionais, fazendo com que os espectadores se acostumassem e passassem a renegar o conteúdo nacional. O que se viu depois deste fato (ocorrido em meados de 1915) foi uma batalha dos cineastas locais por um pouco de espaço para conseguir fazer um cinema brasileiro de qualidade.

fonte: introdução ao cinema brasileiro de Alex Viany

domingo, 20 de março de 2011

Crepúsculo dos Deuses de Billy Wilder

por: Yves São Paulo

"Crepúsculo dos Deuses" (sunset boulevard, 1950) é uma obra tão grande quanto o próprio cinema. Billy Wilder é um autor, e disso ninguém discorda, já que seus filmes eram (em muitos casos) escritos, produzidos e dirigidos por ele mesmo.
"Sunset Boulevard" começa com o nome da famosa rua de Hollywood (que dá título ao filme) a câmera recua para trás para exibir carros de polícia, que o narrador diz ser do departamento de homicídios. Os carros entram em uma mansão da rua, e vão até a piscina retirar um corpo, o corpo do homem que narra o começo do filme, Joe Gillis.
Joe Gillis (William Holden) era um escritor de cinema que não se deu muito bem em Hollywood e que pensava em voltar para sua terra natal e admitir a derrota perante aqueles que ficaram. Cheio de dívidas e corr
endo o risco de perder o seu carro, Gillis tenta vender uma história para um estúdio ou que seu agente lhe empreste o dinheiro para pagar sua dívida, mas não consegue êxito algum. Passado o tempo que ele tinha para entregar o dinheiro e salvar seu carro, ele é perseguido pelos cobradores que querem o seu carro, mas fura o pneu e acaba tendo que esconder seu automóvel em uma mansão que ele julgava abandonada. Mas ela não estava, ela estava apenas esquecida por fora como a sua moradora, Norma Desmond (Gloria Swanson) grande estrela do cinema mudo.
Neste filme Wilder trata de algo que estava apenas no começo, o esquecimento dos astros que um dia foram amados por todos. Na cena em que Norma Desmond volta ao estúdio pessoas falam "achei que ela estivesse morta", um sinal claro de que um astro, por muitas vezes, só está vivo enquanto faz sucesso e quando acaba ele está morto. Ao colocar a veterana do cinema esquecida pelo público que a amou, junto à um homem mais jovem, o autor coloca que os aspirantes a astros fazem de tudo para ter um lugar ao sol, já que junto a alguém que tenha uma relativa influência perante aqueles que fazem os filmes será mais fácil a escalada ao estrelato.
Na época em que foi lançado, o filme chocou milhares de pessoas por escancarar aquilo que eles não queria ou fingiam não ver. Para completar, Wilder chamou para fazer um ponta astros que já haviam caído no esquecimento como Buster Keaton, grande astro de outrora, para comprovar aquilo que ele exibia na tela. Com este longa-metragem Billy Wilder ganhou o Oscar de melhor roteiro com este filme inesquecível.

domingo, 13 de março de 2011

A Montagem no Cinema Clássico de Hollywood

por: Yves São Paulo

Os filmes produzidos em Hollywood em sua época de ouro possuem algo em comum, a sua
montagem. Que fique claro que o cinema clássico de Hollywood vai até meados de 1965 quando os grandes diretores já não conseguiam emplacar grandes sucessos como em tempos passados*. No cinema clássico as histórias eram, em geral, narradas de forma linear, quando isso não acontecia era pelo fato de a película ser narrada através de flashbacks, como no maravilhoso "Cidadão Kane" de Orson Welles (citizen kane, 1941), onde a história começa com o falecimento de Charles Foster Kane, magnata da indústria jornalística que antes de morrer fala uma palavra que dá inicio à uma correria de repórteres de um jornal cinematográfico para descobrir o que ela significa, desta forma eles vão até personagens que passaram pela vida do empresário e viajamos em suas memórias.
O artifício utilizado por Welles em sua obra prima é, ainda hoje, muito copiada. Junto com "Cidadão Kane" outra obra do cinema clássico hollywoodiano que inovou em sua maneira de montar foi "Crepúsculo dos Deuses" de Billy Wilder (sunset boulebard, 1950), mais um filme onde começamos pelo personagem principal morto, mas desta vez viajamos pelas memórias do
falecido até o ponto em que o encontramos boiando na piscina. Fora isso o filme corre linear, sem mais nenhuma ousadia de seu autor.
A terceira obra a ser citada também tem o seu começo marcada com a morte de seu protagonista, "Lawrence da Arábia" de David Lean (Lawrence of arabia, 1962) onde vemos a sua morte por um acidente de moto e vamos direto para o seu funeral onde os presentes se perguntam quem ele foi, e como se respondesse a pergunta dos personagens o diretor retorna para os fatos acontecidos anteriormente ao acidente de moto.
As três obras tem em comum a morte do personagem no inicio da história, e todos os três filmes se tornaram clássicos. Talvez os dois últimos não tivessem esta estrutura se não fosse pela ousadia do então jovem diretor que resolveu renovar e criar um filme bem diferente da maioria das outras películas que circulavam naqueles tempos. Ainda hoje não é comum encontrar filmes estruturados em uma linha não linear, mas é mais fácil de encontrá-los do que na época em questão.
A facilidade para o espectador que vai ao cinema se divertir é sempre levada em conta, já que uma montagem que não possui a famosa linha começo, meio e fim leva sempre um tempo para ser entendida, já que o autor quer que o espectador fique a discutir o assunto abordado, ou que a película fique viva na mente daquele que assistiu durante um longo tempo.

*ler "Easy Riders, Raging Bulls, como a geração sexo, drogas e rock n roll salvou Hollywood"

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pulp Fiction de Quentin Tarantino

por: Yves São Paulo

Que fique claro que esta crítica se refere ao segundo filme de Quentin Tarantino, que só havia filmado "Cães de Aluguel" (reservoir dogs, 1992), nenhum curta metragem antes disso, e é com seu segundo filme que ele entra para a reservada lista de gênios do cinema que fizeram sua obra prima logo no inicio da carreira sem ter muita ou qualquer experiência, como: Orson Welles (que havia filmado apenas dois curtas antes de sue inesquecível "Cidadão Kane"), ou François Truffaut (que também havia filmado apenas dois curtas antes de seu "Os Incompreendidos")*.
O filme começa rápido, com uma discussão de um casal de assaltantes sobre o melhor lugar para assaltar sem que eles tenham algum problema, se encerrando com eles assaltando o local onde estão tomando seu café da manhã. Logo nos lembramos de um filme que havia sido lançado pouco tempo antes deste, "O Bons Companheiros" de Martin Scorsese (goodfellas, 1990), que tem seu inicio com um trio de mafiosos enterrando um rival.
Fiz a comparação de Tarantino a Scorsese por serem dois estilos muito parecidos de filmar, rápidos, com diálogos ácidos (embora não seja Martin Scorsese quem assine a maioria dos roteiros de seus filme, ao contrário de Tarantino) e uma trilha sonora que constantemente se volta para o pop para que as cenas ganhem um tom mais forte e mais veloz do que seriam sem elas. Mas algo que não é parecido no cinema de ambos é a forma como seus filmes são montados, e este é um grande exemplo da montagem "Diferente" que Quentin Tarantino utiliza em seu cinema.
O filme se inicia no já referido assalto à lanchonete que é interrompida pelos créditos iniciais que ao terminar leva o espectador para outro local acompanhar uma dupla de assassinos de aluguel. Um deles é bastante ironico e imprevisível que adora gritar com suas vítimas (Jules, interpretado por Samuel L. Jackson), o outro faz um tipo um pouco mais psicopata, que fica em silêncio na maior parte da cena, mas que faz o seu trabalho quando tem que fazer (Vincent, interpretado por John Travolta). E assim vamos avançando na trama até que no final temos uma surpresa que havia sido programada na montagem, algo que apenas Quentin Tarantino parece ter coragem de fazer, ou que ninguem mais tenha coragem de repetir com medo de que pareça uma imitação.
Assim Quentin Tarantino conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, com uma trama revolucionária, onde os "heróis" são assassinos e um final que não é o fim da história. (Confuso? Assista ao filme que entenderá).

*site IMDB.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

(500) Dias Com Ela de Marc Webb

por: Yves São Paulo

"Mais uma comédia romântica" diriam muitas pessoas ao chegar ao cinema e ver o título e encarar o pôster de "(500) days of summer" (Marc Webb, 2009), mas como o narrador fala logo no inicio da trama, "esta não é uma história de amor". Narrado de
forma não linear que passeia entre os altos e baixos do relacionamento entre Tom e Summer (daí o título em inglês), este filme do estreante Marc Webb logo no inicio deixa isso claro, logo após os créditos inicias quando Tom (Joseph Gordon-Levitt) está na cozinha de sua casa quebrando seus pratos por causa de mais uma decepção por causa de Summer(Zooey Deschanel). É aí que fica a deixa para que Webb possa apresentar a grande vilã da história.
"Days of Summer" é um filme simples e que poderia ser mais um, se não fosse a inversão dos valores comuns deste tipo de trama. Aqui nós temos o garoto que quer se apaixonar e a garota que não quer um relacionamento sério, que junto com a narração não linear da história faz com que o filme atinja seu diferencial das demais produções do gênero.
Marc Webb conseguiu mostrar seu potencial como cineasta graças ao ótimo roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber, que enchem o filme com homenagens ao cinema com referências à filme como "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (Annie Hall, Woody Allen, 1977), "A Primeira Noite de um Homem" (the graduate, Mike Nichols, 1969) e "O Sétimo Selo" (det sjunde inseglet, Ingmar Bergman, 1956) assim como referências à música como o Beatle preferido da Summer ser o Ringo e ambos os personagens principais gostarem do The Smiths.
Este é mais um filme que mostra a capacidade dos novos cineastas de renovarem gêneros que pareciam batidos e fazer aparecer dali algo novo, como se o gênero ressurgisse das cinzas, ou até mesmo que não o fosse. Tanto é um filme bem feito que Marc Webb foi contratado para dirigir a nova trilogia do Homem Aranha.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Exorcista de William Friedkin

por: Yves São Paulo

Considerado um dos maiores filmes de terror da história do cinema, e muitas vezes indicado como o mais assustador, "O Exorcista" (The Exorcist, 1973) é, sem dúvida, uma obra de arte, coisa rara entre os filmes do gênero. O filme do diretor William Friedkin é uma das produções que deram o pontapé inicial para os milionários filmes de Hollywood que custavam muito e ganhavam mais ainda, juntamente com "O Poderoso Chefão" (godfather, Francis Ford Coppola, 1972) e "Tubarão" (jaws, Steven Spielberg, 1975).
Mas o que é que faz de "O Exorcista" um filme tão espetacular que continua a assustar o espectador quase quarenta anos depois de seu lançamento? Sem
dúvida o modo como Friedkin compôs cada cena é o grande trunfo do sucesso. O diretor, que já havia sido consagrado com um Oscar por "Operação França" (the french connection, 1971), coloca em seu terror coisas que causam repulsa no espectador, e as deixa na tela para que quem está assistindo fique a ver aquela imagem que não deveria estar vendo, mas, por algum motivo, fica a apreciar, coisa que foi e é muito imitada nos filmes do gênero.
O inicio do filme nos mostra o padre Merrin (Max Von Sydow) em uma expedição arqueologica, quando encontra um artefato curioso (começo que se tornou clichê nos filme de terror). Viajamos até a casa de uma atriz de cinema que mora com sua filha Regan (Linda Blair), que começa a se comportar de maneira estranha. Após uma bateria de exames que não comprovam nada Chris MacNeil (Ellen Burstyn) vai a procura de um padre que a possa ajudar a tratar sua filha. Este pedaço do filme em que não vimos ainda nenhuma ação do diabo sobre a garota deixa o espectador cada vez mais tenso, e assim William Friedkin mexe com os nervos de quem assiste ao filme para que depois possa apavorá-los com suas seções de exorcismo.
Sem dúvida é um clássico do cinema, e que é um dos poucos exemplares do cinema de terror que mostra que se pode fazer cinema de arte com qualquer gênero que seja. É um dos melhores trabalhos hollywoodianos pós guerra do Vietnam. Para aqueles que não gostam de filmes de terror "O Exorcista" é mais do que isso, é uma obra prima.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Restauração de Redenção de Roberto Pires

por: Yves São Paulo

Redenção é o grande marco do cinema baiano, já que este é o primeiro longa-metragem feito no estado. Aqui apresento um video que mostra a recente restauração do filme dirigido pelo pioneiro Roberto Pires.




quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cães de Aluguel de Quentin Tarantino

por: Yves São Paulo

Em sua estreia no cinema, Quentin Tarantino nos mostra um cinema um pouco diferente do que estavamos acostumados a ver. Para não perder o hábito vou analisar a cena de abertura. Os bandidos estão todos sentados em uma típica lanchonete norte-
americana, e nós passamos a acompanhar a discussão depois que eles já terem comido. Falam sobre qualquer coisa do dia a dia, como uma interpretação da música da Madonna, "Like a virgn". Quem faz o personagem que disseca a canção é o próprio Tarantino. A câmera circula ao redor da mesa onde eles estão sentados vestindo seus ternos e gravatas finas. Logo em seguida vem a abertura, os bandidos de terno andando em direção ao espectador em câmera lenta e, fazendo closes em cada um, os seus nomes aparecem(dos atores), mesmo que o personagem quase não apareça no filme.
É uma história simples, um grupo de bandidos que planeja fazer um assalto a uma joalheria e que quando vão praticá-lo são impedidos pela polícia que aparece no local, o que faz levantar a suspeita de que alguém no grupo é um policial infiltrado. Mas o grande ponto do filme são os diálogos rápidos e afiados dos personagens típicos de Tarantino e a montagem da história, já que se ela fosse contada de forma linear seria mais um filme policial. Além disto tudo temos a trilha sonora, clássico no cinema tarantinesco, que até os créditos finais aparecem no filme através de programas de rádio. Em "Reservoir Dogs" os planos são longos, o que não é comum de encontrar no cinema moderno.
Em entrevista o diretor disse que poderia ter feito este filme com 13 mil dólares em uma garagem e algumas outras locações, mas para a sua sorte o ilustre Harvey Keitel queria atuar no filme, o que deu condição para que este filme fosse feito com um pouco mais de um milhão de dólares. Após esta produção Quentin Tarantino foi chamado para fazer filmes nos estúdios, mas não quis, e se isolou para que pudesse escrever "Pulp Fiction".
"Cães de Aluguel" se tornou um clássico nos últimos tempos, já que é mais um filme que fez milhares de pessoas modificarem a sua forma de ver e fazer filmes.
(Cães de Aluguel, título original: Reservoir Dogs, Quentin Tarantino, 1992)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Denúncia! Brasil Animado X Os Heróis da Galáxia

por: Yves São Paulo

O primeiro filme brasileiro em 3D não é o "Brasil Animado" que foi lançado nos cinemas recentemente e sim um filme feito no interior da Bahia cujo título é "Heróis da Galáxia". Muitas são as produções pioneiras deste país que caem no esquecimento geral da nação, mas para uma cidade que quase nunca tem um evento como este, na época do lançamento do tal filme muito se comentou, até mesmo na TV local.
O filme é uma animação/documentário sobre o espaço, já que a cidade onde ele foi produzido (Feira de Santana) é uma espécie de
pólo astronômico por sediar o único observatório astronômico do norte e nordeste, além de possuir um dos planetários mais avançados do planeta.
Embora se possa encontrar um pedaço do filme no "youtube" não são muitos os artigos sobre esta produção na internet, sendo que o artigo sobre ela no site "wikipédia" foi retirado por algumas pessoas que não acreditavam na legitimidade do filme.
Posso garantir que o filme existe pois até hoje guardo os óculos que foram entregues para todos aqueles que foram assistir ao filme. A partir dele posso colocar algumas informações como: o filme é do ano de 2005, e os personagens foram registrados pela empresa que produziu o filme a Art & Paint.
Sendo assim, toda a propaganda que está sendo feita a favor do filme "Brasil Animado" colocando-o como primeiro filme 3D do país não é verdade, e talvez não seja por má fé, mas por não conhecer o real pioneiro.

A Rede Social de David Fincher

por: Yves São Paulo

Saiu a lista do indicados ao Oscar 2011, junto a ela temos alguns filmes favoritos, como é o caso do filme "A Rede Social" (the social network, David Fincher). O filme
tem inicio com o som de uma guitarra, logo vem a voz do Jesse Eisenberg falando rapidamente, e junto à ela os ruídos do interior de um bar onde se encontram os estudantes de Harvard, sendo que o único momento em que conseguimos paz para os ouvidos é quando a namorada de Mark Zuckerberg o dá um fora e ele fica em silêncio e desta forma o barulho ambiente também é retirado dando lugar à trilha sonora composta para o filme, tudo isso unindo à fotografia que dá um tom sépia ao local. Com esta abertura notamos que a nova geração de cineastas possuem algo em comum, eles querem conquistar o espectador logo na primeira seqüência.
Este filme, além de nos introduzir a um novo elenco, que em breve deverá ser de estrelas de Hollywood, como o Andrew Garfield, que
já está gravando o novo Homem Aranha, no papel principal, nos é apresentado com imagens digitais, já que foi filmado com a câmera RED. Após "O Curioso Caso de Benjamin Button" David Fincher nos surge com esta película que mostra todos os conflitos por trás de uma gigante, o "Facebook", e todas as intrigas que fizeram desta página a maior rede social do planeta. E por trás dela temos o Eduardo Saverin, brasileiro que investiu no "Facebook" quando ele era apenas uma idéia na cabeça do Zuckerberg.
Aqui temos um candidato de peso para as premiações, já tendo levado o Globo de Ouro de melhor filme, "A Rede Social" é um daqueles raros filmes que não possuem um momento ruim, onde o espectador se cansa daquilo que está sendo apresentado, ou até mesmo, que seja repetitivo. Narrado de maneira não linear, de acordo com as lembranças de cada um no julgamento, a partir de um certo ponto, para que logo no inicio o espectador não seja surpreendido logo de cara por uma história que muitas vezes já conhece, ou até mesmo para que não preveja o que venha a acontecer no final. "A Rede Social" é mais um filme que prova que o cinema contemporâneo não morreu.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A Arte dos Filmes

por: Yves São Paulo

Hoje os filmes de arte são ditos como desaparecidos, hoje os filmes feitos antes de clássicos (apenas para alguns) como "Tubarão" (jaws, Steven Spielberg) são, em grande parte, etiquetados como "filmes de arte". Será mesmo que o cinema dos dias atuais que decaiu tanto, ou será que são os atuais críticos que não conseguem enxergar a grandeza artística das produções da atualidade?
Existem sim muitos filmes que são feitos neste inicio de século que são
verdadeiras agressões aos olhos dos espectadores, mas que não podem ser utilizados como referência ao novo estilo de fazer cinema. Até a década de 1970 certas películas que custavam rios de dinheiro eram bem sucedidas, tanto nas bilheterias quanto nas críticas, um exemplo disto é o eterno clássico "...E O Vento Levou"(gone with the wind, Victor Fleming). Atualmente filmes como os da trilogia "O Senhor dos Anéis"(the lord of the rings, Peter Jackson) são um sucesso de público, mas não é amado pelos "entendidos de cinema" que parecem não ter conseguido enxergar a arte do filme (embora muita gente da academia de artes e ciências cinematográficas tenham visto), que arrebatou 17 Oscars ao todo.
Alguns cineastas da nova geração conseguem se mostrar verdadeiros artistas, como: Sofia Coppola e Jason Reitman, que embora não façam filmes com tanta freqüência como gostariam os espectadores (e depois de verem algum de seus filmes se tornam seus fãs) quando aparecem surpreendem a todos. Outros artistas que surgiram nos últimos tempos e que aos poucos começam a se fixar nas telas de projeção de todo o mundo são: Marc Webb (que após dirigir seu primeiro longa-metragem foi contratado para dirigir uma nova trilogia do Homem Aranha), Neil Blomkamp (sul-africano que recentemente dirigiu "distrito 9" e já tem diversos outros projetos pela frente). Não posso deixar de citar um nome do cenário nacional, Matheus Souza diretor do filme "Apenas o Fim" que conquistou o prêmio júri popular no festival do rio com seu primeiro filme.
Neste momento o cinema mundial sofre por uma renovação, àquela estrelas que brilharam em décadas passadas estão aos poucos deixando de brilhar, desta forma o caminho para novos talentos vai se abrindo e coisas ousadas começam a aparecer, assim quem quiser fazer críticas justas à filmes atuais deve assistir ao que anda aparecendo de artístico pelos cinemas mundo afora. O cinema não perdeu o seu brilho, e talvez nunca venha a perder.
Aqui vai uma lista de alguns filmes que merecem ser vistos antes que se fale que o cinema atual perdeu a sua arte:
Encontros e desencontros, dirigido por: Sofia Coppola (lost in translation).
(500) Dias Com Ela, dirigido por: Marc Webb (500 days of summer).
Amor sem escalas, dirigido por: Jason Reitman (up in the air).
Juno, dirigido por: Jason Reitman (Juno).
Apenas o Fim, dirigido por: Matheus Souza.
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